segunda-feira, 12 de julho de 2010

Resposta a Diogo Mainardi

LEITURAS DE VEJA
Por que Dunga não é um behaviorista

Por Maria Martha Costa Hübner em 6/7/2010


O texto intitulado "O caso do Sr. D", publicado pelo colunista da revista Veja Diogo Mainardi em 26 de junho de 2010, traz alguns equívocos sobre a tradição de psicologia chamada genericamente de behaviorismo ou psicologia comportamental. Mainardi faz a seguinte afirmação em seu texto: "Dunga só pode ser nosso B. F. Skinner. Ele faz com seus jogadores precisamente o mesmo que, nos primórdios do behaviorismo, B. F. Skinner fazia com os pombos e com os macacos de seu laboratório. Primeiro, prende-os numa gaiola. Segundo, isola-os de qualquer contato com o exterior. Terceiro, raciona seus alimentos. Quarto, condiciona seu comportamento administrando-lhes choques elétricos."

Cabe lembrar que Dunga não é um behaviorista e, consequentemente, não é um especialista do comportamento. Ele é apenas alguém que, algumas vezes, usa desavisadamente a punição, procedimento que psicólogos comportamentais combatem veementemente.

O behaviorismo é uma filosofia que embasa a ciência empírica que estuda o comportamento dos organismos, sendo esta chamada de Análise do Comportamento ou Psicologia Comportamental. Behavioristas não criaram a punição (ou mesmo os choques elétricos) e seu fundador (B. F. Skinner) é o maior inimigo de práticas coercitivas ou punitivas. As instituições sociais criaram as punições, e não os behavioristas. Como cidadãos, observamos, consternados, métodos "disciplinadores" em nossas relações econômicas, governamentais, educacionais, religiosas, entre outras. Todos nós estamos bem familiarizados com as práticas de nossa cultura, que apresenta consequências punitivas para pessoas que infringem as leis, tais como a não prestação de contas ao fisco, o não cumprimento de deveres cívicos, o desempenho insatisfatório em trabalhos escolares, ou qualquer ação que seja classificada como pecado ou erro.

Cidadãos dignos e atuantes

Os behavioristas, buscando meios de suprimir essas práticas e demonstrar seus efeitos perniciosos, pesquisam a punição com profundidade há mais de 60 anos, com robusta produção científica, denunciando veementemente as práticas coercitivas na sociedade. Mesmo em épocas de ditadura militar, analistas do comportamento não deixaram de se manifestar publicamente contra a prática da punição em nossa cultura. Maria Amélia Matos (em memória) foi uma das pessoas que o fizeram, em um artigo denominado "A ética no uso do controle aversivo", de 1982.

Temos behavioristas no Brasil reconhecidos internacionalmente, trabalhando e buscando soluções para um vasto leque de problemas humanos, sem o uso de punição. No campo da saúde, desenvolvemos tecnologias de intervenção que melhoram a vida das pessoas que sofrem dos mais diversos distúrbios. Comumente tratamos dos efeitos maléficos provocados pela punição e ensinamos nossos clientes a como efetivamente enfrentá-la. Temos terapeutas comportamentais trabalhando com pessoas deprimidas, fóbicas, ansiosas. Trabalhamos também com crianças com problema de desenvolvimento dos mais diversos. O tratamento de maior eficácia para o autismo é reconhecidamente de orientação behaviorista.

Como cientistas também preocupados com as práticas educacionais, auxiliamos na formação de melhores professores e na educação de crianças para que estas venham a se tornar cidadãos dignos e atuantes em suas comunidades. Pessoas que saibam fazer escolhas e que não venham a causar sofrimentos a outros ou a si mesmo, usando, inadvertidamente, a mesma punição que aprenderam em ambientes sociais coercitivos.

Esclarecer dúvidas e dialogar

Muitos colegas na Psicologia Comportamental trabalham em empresas, no esporte ou no planejamento de políticas sociais mais humanas. B. F. Skinner, ao seu tempo, foi um humanitário e as causas ilustradas no livro Walden II (obra bem lembrada por Mainardi) são, por assim dizer, genuinamente humanitárias. Vale lembrar que em nenhum momento desta obra de ficção o autor propõe uma sociedade totalitária. Pelo contrário, sua proposta de sociedade defende o respeito à individualidade e à liberdade individual. Aliás, o mesmo Skinner defende que, se a sociedade em que vivemos não usasse tanta punição, nem precisaríamos criar um termo como a "liberdade", já que ele seria um valor comum, e não um estado de exceção.

Em setembro próximo teremos o XIX Encontro Nacional da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental (ABPMC – www.abpmc.org.br), o maior fórum científico da área. Reunimos hoje mais de três mil pesquisadores, profissionais e alunos de graduação preocupados com a relevância social das nossas descobertas e com o rigor ético de nossas intervenções. Queremos, sim, construir um mundo mais digno. E os dados da ciência do comportamento vêm sendo profícuos em nos ensinar a como fazer isso. Mas isso depende da capacidade de nossos interlocutores superarem preconceitos históricos e ouvir o que temos a compartilhar à luz do atual desenvolvimento da Análise do Comportamento e do behaviorismo skinneriano. Basta uma rápida pesquisa nos anais de nossos Encontros para notar nossa preocupação com temas que afligem a sociedade e que poderão comprometer a sobrevivência de nossa cultura, entre os quais estão justamente as mais variadas formas de punição.

Sabemos que os termos técnicos da Análise do comportamento por vezes impedem a adequada compreensão de nossa ciência. Mas a ABPMC estará sempre de portas abertas para esclarecer dúvidas, dialogar com colegas cientistas de outras áreas e com qualquer interessado na compreensão de nossa abordagem.

[Endossam este artigo Denis Zamignani, vice- presidente da ABPMC e diretor do Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento; Roberto Alves Banaco, membro da diretoria da ABPMC, professor titular da PUC-SP e coordenador acadêmico do Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento; Paulo Roberto Abreu, mestrando do programa de Pós-Graduação em Psicologia Experimental da USP e associado da ABPMC; e Juliana Helena dos Santos Silvério, mestranda do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento da PUC-SP e associada da ABPMC]

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Saudades de Téia, um exemplo de luta
Publicado em 11-Mai-2010 por José Dirceu (Blog do Zé)

Associo-me à justa homenagem prestada pela PUC-SP a Téia... Associo-me à justa homenagem prestada ontem (10.05) pela Faculdade de Ciências Humanas e de Saúde da PUC/SP, à Tereza Maria de Azevedo Pires Sério, a Téia, professora do Departamento de Psicologia da escola. A nossa querida Téia faleceu no último sábado (08.05) deixando a todos a marca de uma vida voltada ao respeito e a defesa da liberdade.

Militante da Ação Popular (AP) durante o regime militar, Téia foi incansável em sua luta pela redemocratizaçã o do nosso país e pelas causas coletivas que dizem respeito à cidadania, tanto no movimento estudantil, quanto em sua vida profissional. Na PUC, sua atuação foi ímpar.

Após ter ingressado na faculdade em 1968, travou sua primeira batalha estudantil na defesa dos excedentes, os alunos que passavam no vestibular, mas não tinham vaga garantida na universidade. Anos depois foi, também, uma das fundadoras da Associação dos Professores da PUC/SP - APROPUC.

Mestra querida e profissional das mais competentes em sua área, ingressou no magistério acadêmico em 1971, chegando a ocupar a cadeira de professora titular de Análise do Comportamento na Psicologia da PUC-SP. Téia foi um exemplo de dedicação e luta por uma coletividade melhor. Deixa muitas saudades entre todos nós. A ela dedico o meu respeito, partilho a homenagem de sua universidade - uma medida de justiça - e aos familiares os meu sinceros pêsames.

domingo, 9 de maio de 2010





"Não sei porque você se foi, quanta saudades eu senti e de tristeza vou viver e aquele adeus não pude dar! E eu gostava tanto de vc...gostava...gostava tanto de você!"
Morte
Pedro Bial
Composição: Pedro Bial

Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos,
parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada,estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena,
mas nada acontecia ali de risível, era só dor e a perplexidade, que é mesmo o que causa em todos os que ficam.
A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro:
a morte por si só, é uma piada pronta.
A morte é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário.
Tem planos para semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório...
Colocar gasolina no carro e no meio da tarde...
MORRE.
Como assim?
E os e-mails que você ainda não abriu?
O livro que ficou pela metade?
O telefonema que você prometeu dar a tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia:
MORRER...
A troco de que?
Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviram para nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente.
Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego. Mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de duvidas quanto à profissão escolhida...
Mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
De uma hora pra outro, tudo isso termina...
Numa colisão na freeway...
Numa artéria entupida...
Num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis...
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas...
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas...
A apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você que dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manha.
Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito...
Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem vindo...
Já não há muito mesmo a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.
ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo?
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.
Morrer é um exagero.
E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.
Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida...
Perdoe...
Sempre!!

sábado, 24 de abril de 2010

Meu cantinho à noite

Meu cantinho 1

Porque:

"Recusar o empréstimo da vida de modo a evitar o débito da morte"


Otto Rank
"Há três coisas que jamais voltam: a flecha lançada, a palavra dita e a oportunidade perdida"
Provérbio Tibetano



Vejam só o que a natureza tem me proporcionado há dois anos seguidos....no mesmo lugar, mais uma família se forma e a beleza a ser admirada pelas cores, sons, enfim tudo de mais simples e belo!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Que coisa estranha!

"Que coisa estranha é gostar de alguém... todo mundo diz que é a melhor coisa do mundo amar, será que é mesmo?
Porque então sentimos essa coisa esquesita que muitas vezes não sabemos dar nome?
Não ciúmes, não é raiva, não é medo, não é tristeza, não é desapontamento....sei lá, o que sei é que não sei o seu nome....
Fico boa parte do tempo me perguntando por que isso e por que aquilo?
Tem momentos que tudo o que eu quero é ficar sozinho e junto ao mesmo tempo.
Será que todo mundo sente isso quando se gosta de uma outra pessoa?
Hoje estou meio assim pensando com meus botões e brincando com os meus pensamentos.
O dia está meio esquisito, talvez seja isso, não tive sequer coragem de colocar as caras na rua e dias assim me deixam assim também.
Tudo era pra estar diferente, afinal hoje conclui o meu plano para esta semana, hoje cumpri com o que havia determinado pra mim, e mesmo assim me sinto assim....
Acho que preciso de uma bomba calórica que me dê um estado diferente, preciso de um analgésico para o coração e para o pensamento....
Quem sabe um lugar distante com você fosse a solução para os meus pensamentos...
Quero muito fugir do mundo com você, mas será que você quer se arriscar nessa aventura comigo?
Vamos? O futuro é incerto e as oportunidades mais incertas ainda, por isso, às vezes resta-nos correr atrás delas... tomara que vc acredite e queira também.
Me dê a oportunidade de fazer mais coisas diferentes ao seu lado, me dê a chance de ser ainda mais feliz a seu lado, pois mesmo com tudo isso que penso garanto que já sou feliz."